BDR: O que é? Guia Definitivo para investir em ações americanas

BDR: O que é

Provavelmente em algum momento durante sua vida de investidor você já parou para se perguntar: O que é BDR?

Pensando nisso, a redação do Investir Global, elaborou para você este guia definitivo sobre tudo o que você precisa saber para investir em BDRs, os certificados de ações estrangeiras. Assim, você pode aprender (ou lembrar) todas as informações necessárias para investir em ações dos EUA.

Primeiramente, para entender como você pode investir em ações da bolsa de Nova Iorque, usando a bolsa brasileira como mediador, é preciso entender o conceito de BDRs.

BDR: O que é?

A sigla BDR representa: “Brazilian Depositary Receipts”, que em uma tradução livre significa “Recibos Depositários Brasileiros”. Assim estes recibos funcionam como um certificado de depósito de um valor mobiliário.

Em outras palavras, estes recibos de depósito, representam aqui no Brasil, um valor mobiliário emitido por
companhias de capital aberto, mas com sede no exterior (em geral, os papeis de ações de empresas).

Ou seja, um BDR, não é nada além de uma “ação” negociada aqui na bolsa de valores (B3), mas que representa uma empresa de capital aberto com sede em algum país estrangeiro.

Contudo, é importante lembrar que um BDR é apenas o certificado de compra de ação, o verdadeiro “papel” da empresa fica em custódia da corretora. Por isso, ao investir em BDRs, um investidor não tem os direitos tradicionais de um ativo comum. Então, não se torna ativamente um acionista da companhia, e não possui direito a votos.

O esquema do sistema de BDRs funciona da seguinte forma:

Este certificado, é emitido aqui no Brasil por uma instituição depositária. Essa instituição então, se torna responsável por garantir o “lastro” desse ativo, em outras palavras, a instituição deve garantir sua procedência. Para entender melhor, confira um exemplo prático:

Se você deseja comprar, hipoteticamente, 50 ações da Disney. A instituição que emite sua BDR, deve “ir” a bolsa americana, (através de uma conta no exterior), e comprar 50 títulos equiparáveis aos certificados de depósito emitidos e os manter sob custódia. Assim, a relação entre os recibos e os ativos se mantêm de forma segura e legal, e o lastro da operação é assegurado.

As categorias de BDRs

Assim, como as BDRs atuam diretamente na bolsa brasileira, existem algumas classificações a serem consideradas:

Existem dois programas de BDRs aqui no Brasil, o Patrocinado (dividido em níveis) e o Não Patrocinado.

Primeiramente vamos diferenciar estes dois conceitos:

BDRs patrocinados

Os BDRs patrocinados é atrelado a apenas uma instituição depositária e contratado pela própria Companhia detentora dos valores mobiliários que serão objeto do certificado. Em outras palavras, por exemplo, imagine uma empresa como o Google tivesse interesse em ter recebidos de suas ações negociados aqui no Brasil e contratasse uma instituição para manter um programa de BDRs por aqui. É assim que funciona o sistema patrocinado, onde as empresas estrangeiras promovem diretamente essa relação para conseguir captar os investimentos de países específicos. Além disso, os BDRs patrocinados, em geral, possuem classificação em níveis: Nível I, Nível II e Nível III.

BDRs não patrocinados

Por outro lado, as BDRs não patrocinadas funcionam em um sistema um pouco diferente.

Nestas BDRs sem patrocínio, o nome já deixa bem claro a relação existente. Ao contrário do que acontece nas BDRs patrocinadas, estes títulos recebem emissão através de instituições independentes. Assim essas empresas, ao perceberem a demanda existente para algum ativo estrangeiro, se prontificam a atender o público geral. Assim, as empresas entram no mercado estrangeiro, compram os ativos, e geram os respectivos BDRs e os listam em bolsa. Por isso, esse é o método mais comum de vermos BDRs na bolsa brasileira.

Em termo de curiosidade, o ticker (código) dos BDRs representam estas classificações, em geral, temos 4 letras, seguidas por dois números. (em exemplo: XXXX00)

  • Os BDRs patrocinados terminam com a numeração 32 e 33, para os níveis II e III respectivamente,
  • Enquanto isso, os BDRS não patrocinados, terminam com a numeração 34 e 35.
  • As 4 letras representam a empresa a qual o BDR pertence, como, por exemplo, o ticker TSLA34, que representa o BDR não patrocinado da Tesla.

As alterações

Felizmente, atualmente, as BDRs estão presentes na bolsa e a disposição dos investidores. Contudo, nem sempre foi assim.

Até praticamente o final de 2020, os “Brazilian Depositary Receipts” somente estavam disponíveis aos investidores qualificados. Em outras palavras, apenas investidores que possuíam um patrimônio acima de R$ 1 milhão investidos em bolsa poderiam comprar e vender as desejadas BDRs. Assim, esta regulação era extremamente excludente, visando que a grande maioria dos investidores (Até mesmo os experientes) não possuem essa quantia alocada no mercado financeiro.

Contudo, a partir de 1° de setembro, uma grande mudança ocorreu nas leis regulatórias dos BDRs.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), considerando os inúmeros pedidos dos pequenos investidores, alterou as regras, permitindo que qualquer investidor possa investir em BDRs. Além disso, com o intuito de facilitar o acesso ao mercado, a CVM reduziu o lote padrão das BDRS (o mínimo que um investidor pode comprar e vender) para 1 (uma) unidade.

Assim, estas mudanças, trouxeram uma chuva de novas oportunidades para estes pequenos investidores. Assim, pela primeira vez, estes investidores tiveram a chance de expor suas carteiras a um novo mercado internacional e para as maiores empresas do mundo.

Além da liberação das BDRs, a comissão de valores mobiliários ainda tomou outra medida que favoreceu muito a vida dos pequenos investidores.

A medida tomada, foi regulamentação dos BDRs lastrados em fundos de índices, isso mesmo, os famosos ETFs, o fundos de investimentos bastante populares no exterior. Assim, o Brasil finalmente pode, através da própria bolsa brasileira, ter a disposição estas importantes ferramentas de investimento. Em nosso site parceiro, o guia do investidor, temos um guia completo explicado sobre os ETFs, não deixe de clicar aqui para conferir.

O mercado brasileiro

Agora que a pergunta: BDR o que é, foi respondida, vamos focar nas mudanças promovidas pela comissão de valores.

O mercado de BDRs está passando por uma revolução aqui no Brasil. Antes dominado apenas por grandes investidores, fundos de investimento e bancos, hoje temos uma boa quantidade de pequenos investidores transacionando BDRs na B3. No mês de fevereiro, 24% do volume de negociações da B3 foram realizados por pessoas fisicas, uma mudança estrutural que trás uma nova visão de como o mercado irá se portar nos próximos anos.

Além do crescimento de investidores, o número de empresas listadas tambem vem aumentando nos últimos tempos. Atualmente, mais de 670 BDRs estão disponiveis para compra na bolsa de valores do Brasil. Entre elas podemos destacar algumas das maiores empresas do mundo. Temos, por exemplo, a presença da Apple, Facebook, Microsoft, Netflix, 3M, Mastercard, Coca-Cola, Walt Disney, entre muitas outras.

Vale a pena investir?

As BDRs funcionam muito bem em sua proposta de solução, permitindo os investidores acessarem a bolsa dos EUA, em casa, com praticidade e sem a burocracia de criar uma conta nos EUA, sem ter que se preocupar com o câmbio. Contudo, como o mercado brasileiro de BDRs ainda está em crescimento, o mercado americano ainda é muito mais atrativo, com mais opções de empresas a se investir e mais liquidez para a compra e venda desses ativos.

Por fim, não deixe de conferir um guia de como você pode começar a investir no exterior hoje mesmo. Clique aqui para conferir.

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